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sábado, 26 de maio de 2012

Bioquímica da Dor


            Oi pessoal que acompanha nosso blog, hoje estarei tratando sobre a dor. Já está doendo? Calma, nem deu tempo ainda pra isso. Neste tópico trarei um breve histórico da noção do que é dor para a humanidade e a bioquímica por trás dessa sensação tão desagradável, porém muito importante para a manutenção da saúde. Boa leitura.

            Assim como a Medicina começou com uma busca simples para o fim da dor, que naquela época era dor do corpo físico devido a esforços e usos inadequados do corpo que debilitaram o equilíbrio corporal, também começarei este tópico abordando os conceitos de dor.
            Afinal, o que é dor?

‘‘A dor é tão necessária como a morte." Autor – Voltaire
"As dores ligeiras exprimem-se; as grandes dores são mudas." Autor – Séneca
"É bom aprender a ser sábio na escola da dor." Autor – Ésquilo

             A dor é necessária? Existem dores sentidas e as que não sentimos? A dor é passageira ou algo constante do ser? Todas essas perguntas permearam e ainda permeiam a mente do homem desde sua gênese, em que chorou pela primeira vez em seu nascimento. A humanidade sempre esteve em contato com a dor, e sempre estará. Nesse sentido a dor é um caminho para o aprendizado sobre os limites do corpo, da alma e da mente humana.
        Antigamente a dor era vista somente como consequência da lesão tecidual, atualmente, entretanto a dor é vista como uma sensação complexa que aborda aspectos negativos relacionados a componentes afetivos, genéticos, comportamentais, psicológicos, emocionais e fisiológicos. Muitos estudos foram feitos e vários outros ainda estão em andamento sobre como o corpo percebe, transmite e interpreta a dor.
            Para isso a experiência de dor é dividida é dividida em seis fases essenciais: sensibilização, transdução, condução, transmissão, percepção e modulação.

Aspectos Bioquímicos e Biofísicos da dor

          A dor, geralmente, se inicia apartir de estímulos externos ou internos no organismo que, ao atingir os tecidos (em nível tecidual), liberam substâncias químicas conhecidas como algiogenicas11, que ativam os nocireceptores, que são os receptores sensitivos especializados, que se encontram em terminações nervosas livres, para recepção de estímulos relacionados à dor. A algiogenica11 despolariza a membrana dos nocireceptores desencadeando potenciais de ação e impulsos nervosos, o que caracteriza uma transmissão de impulso nervoso, que irá levar essa sensação até a medula espinhal. Para chegar ate a medula, esses impulsos são transmitidos por três fibras, a saber: fibras A-beta (transmite em alta velocidade o impulso), fibras A- delta e fibras C (sendo essas últimas responsáveis pela transmissão lenta do impulso doloroso).Ao chegar na medula, pela raiz posterior do corno dorsal, o impulso dirige-se ao encéfalo. Em nível encefálico, os impulsos são transmitidos a fibras nervosas, que estão conectadas com o tálamo cerebral, levando a sensação ao trato espinotalâmico, e conectadas com o trato espinorreticular, que é a parte baixa e mais central do cérebro, e é nessa última parte que os impulsos serão direcionados para o sistema límbico e córtex.
        Até agora, vimos que certos impulsos que sensibilizam os nocireceptores são tratados como ‘dor’, porém só em nível cerebral que realmente serão validados ou não como dor efetiva. Além desse detalhe, é importante ressaltar que o que conhecemos como dor é também influenciado por fatores culturais, ambientais e históricos do indivíduo, mesmo que a sensação de dor em nível bioquímico ocorra da mesma maneira.
        Como nosso enfoque não é discussão cultural a fundo e nem aspectos psicológicos da dor no indivíduo, seguirei com a parte comum da percepção dessa sensação: a manifestação química e física da dor.
          Desde o percurso da captação da sensação do estímulo relacionado com a dor até a transmissão dos impulsos causados pelas algiogenicas11 até o cérebro tem-se a ação de mecanismos moduladores, que influenciam qualitativamente e quantitativamente na percepção da dor, constituindo assim um sistema supressor de dor. A cada sinapse, os impulsos estão passíveis de modulação; nas áreas do córtex, sistema límbico e tálamo, os diversos impulsos são processados e transmitidos, de forma que o fluxo de alguns são facilitados e de outros dificultados. E é neste ponto que podemos conceituar dor em nível bioquímico e fisiológico, a dor consiste, portanto, em desequilíbrio entre quantificação e qualidade dos impulsos estimulantes da noção nociceptiva e a atuação do sistema supressor de dor. 
 
              A transmissão dos estímulos que conferem a sensação de dor pro meio da medula espinhal não é passiva. Existem certos circuitos intramedulares que podem modificar os estímulos e, consequentemente, interferindo na sensação dolorosa.
            Na parte terminal da membrana de neurônios pós-sinápticos da medula espinal possui três receptores de membrana: neurocinina 1( NK-1) para o receptor de opioide, AMPA e NMDA, que são receptores para o glutamato. Quando o impulso chega dos neurônios nocireceptivos e fazem sinapse com a membrana terminal dos neurônios dos circuitos intramedulares, os potenciais de acao seguem três tipos de caminhos distintos:
  • Do corno posterior para o corno lateral, em que emite fibras simpáticas em direção aos vasos sanguíneos a fim de produzir vasoconstricao e hipóxia, por via reflexa.
  • Do corno posterior para o corno anterior, que emitem fibras direcionadas aos músculos esqueléticos com o objetivo de contrai-los e provocar hipóxia na região, que ira liberar mais substancias algiogenicas desencadeando o circulo vicioso dor-espasmo-dor, que e muito comum em quadros de dor crônica.
  • Do corno para fibras direcionadas ao córtex cerebral, que são as chamadas vias nociceptivas ascendentes.
 
           Quando o impulso chega ao córtex, e o local onde, de fato, sera reconhecida a dor devido a sua acao de inicio do sofrimento, que e inerente a dor. E isso já e a fase da modulação. A modulação tem vários tipos: segmentar, supra-segmentar, medular e supramedular. O tipo segmentar, as fibras A-beta terminam em forma de receptores que irão responder pela sensação tátil, de pressão e de propriocepção consciente. A supra-segmentar ocorre por meio do sistema analgésico central descendente e suas fibras produzem encefalinas q agem nesse sistema e promoverão a produção de serotonina e noradrenalina, por sua vez esses neurotransmissores descem pelo sistema ate chagar na membrana do terminal pre-sinaptico e que, então, realizara a inibição por meio da hiperpolarizacao da membrana
            Após a fase da modulação, o ciclo da dor esta completo e agora pode-se dizer que realmente a dor pode ser sentida.

Bibliografia

Besson JM. The neurobiology of pain. Lancet 1999. 353:1610-1615. 2. Woolf CJ, Mannion RJ. Neuropathic pain. Lancet 1999;353:1959-1964. 3. Carr DB, Goudas LC. Acute pain. Lancet 1999;353:2051-2058. 4. McCormack K, Twycross R. COX2 - selective inhibitors and analgesia. Pain Clinical Updates 2002;X:1-4. 5. Gozzani JL. Fisiopatologia e Neurofarmacologia da Dor, em Yamashita A, Takaoka F, Auler Jr JOC, Iwata NM. Anestesiologia.
             
            Então, por hoje e so isso. Sintam-se a vontade pra mandar comentários com quais quer duvidas que existam, conselhos ou sugestões.

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