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sábado, 19 de maio de 2012

Diferença entre os receptores de acetilcolina no músculo estriado esquelético e músculo estriado cardíaco


                Olá, leitores! Hoje trataremos da forma como a acetilcolina (ACh) age nos músculos estriados esqueléticos e nos músculos estriados cardíacos. Para isso precisamos conhecer os tipos diferentes de receptores de ACh, os receptores muscarínicos e nicotínicos. Eles recebem esse nome pois muscarina, composto presente em cogumelos, e nicotina quando em contato com esses transmissores provocam, respectivamente, efeito semelhante ao que seria causado pela ACh. Uma diferença importante entre esses receptores consiste no fato de os muscarínicos serem metabotrópicos, enquanto os receptores nicotínicos são ionotrópicos.
                No coração, assim como no sistema nervoso central e em músculos lisos, predominam os receptores muscarínicos. Existem cinco tipos de receptores muscarínicos, sendo os do tipo M2 mais comuns no miocárdio. Quando em contato com ACh, esses receptores liberam proteínas que, após uma cascata de reações, inibem a enzima adenilil ciclase, diminuindo a síntese de adenosina monofosfatada cíclica (cAMP), necessária para a manutenção da corrente de íons cálcio. Com a diminuição do fluxo de Ca2+, é reduzida também a velocidade da condução de sinais elétricos nos nodos sinoatrial e atrioventricular. Esses nodos são responsáveis pela manutenção do ritmo de contração do miocárdio, enviando estímulos elétricos periódicos pelas fibras musculares cardíacas, independentemente de estímulo nervoso. O estímulo nervoso tem função apenas de regulação da frequência dos batimentos cardíacos. A ACh tem, portanto, a ação inibitória de diminuir a frequência cardíaca.
                Nas junções neuromusculares com músculos estriados esqueléticos, encontram-se receptores nicotínicos. Esses são canais que possuem cinco subunidades, sendo essas: duas alfa, uma beta, uma delta e uma gama. Quando uma molécula de acetilcolina se liga a cada uma das subunidades alfa, o canal se abre, permitindo a passagem de íons Na⁺ para dentro e K⁺ para fora da membrana das células musculares. A entrada de íons Na⁺ é maior que a saída de K⁺, levando a uma despolarização da membrana e à transmissão de um potencial de ação que leva as fibras musculares a se contraírem. Nos músculos estriados esqueléticos a ACh tem, portanto, ação excitatória, contrário ao que acontece no músculo estriado cardíaco.
                A partir desses exemplos, podemos ver como um mesmo neurotransmissor pode ter diferentes efeitos, por vezes opostos, dependendo da parte do corpo em que é liberado e do receptor que encontra.



Bibliografia:

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