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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Cafeína

              
             




               Cafeína é uma substância presente no café, em chás, no chocolate, em refrigerantes de cola e em bebidas energéticas. É também usada como princípio ativo de medicamentos, alguns dos quais são estimulantes. O efeito mais conhecido da cafeína, nem precisa dizer, é tirar o sono. Além disso, são relatados aumento do estado de alerta, da energia e da capacidade de concentração quando são ingeridas doses moderadas e ansiedade, taquicardia e insônia quando são ingeridas doses mais altas da substância. A sensibilidade à cafeína, contudo, é variável, de modo que os efeitos e sua intensidade podem variar para diferentes pessoas que consomem a mesma dose da substância. Só para ter uma ideia, doses de até 300 mg de cafeína por dia são consideradas moderadas, e 300 mg de cafeína podem ser obtidos em 200 a 600 mL de café (a concentração de cafeína no café varia), aproximadamente 2 L de Coca-cola comum ou 800 mL de Red Bull.
               A pergunta que mais interessa para esse blog, no entanto, é: como a cafeína inibe o sono? Para responder à essa pergunta, primeiro é importante saber que, além dos neurotransmissores indutores do sono já mencionados no post específico, a adenosina é outra substância com essa função. Essa adenosina é uma conhecida de quem já estudou um pouquinho de biologia : é a combinação da base nitrogenada adenina com o açúcar ribose, então está presente no DNA e no RNA e também é a mesma adenosina presente nos famosos ATP, ADP e AMP (adenosina trifosfato, bifosfato e monofosfato, respectivamente), moléculas energéticas essenciais ao metabolismo celular. Voltando ao sono, os níveis de adenosina na corrente sanguínea são altos e crescentes durante a vigília e baixos durante o sono, quando ocorre a metabolização da substância. Acredita-se que ela age como um sinalizador da necessidade do organismo de dormir: quanto mais adenosina acumulada, de mais sono o corpo precisa. A ligação da adenosina a receptores específicos, no cérebro, causa sonolência, induzindo o sono.
               A ação da cafeína na inibição do sono é se ligar aos receptores de adenosina, porém sem causar os efeitos promotores do sono que a adenosina causa. Assim, a cafeína compete com a adenosina pelos receptores, e dessa forma inibe a promoção do sono que a adenosina normalmente causa. A relativa semelhança estrutural entre as duas moléculas é responsável por esse mecanismo, que também pode ser visto no vídeo abaixo.


À medida que a cafeína é metabolizada pelo organismo, a adenosina volta a se ligar aos receptores e produz seus efeitos normalmente. Por isso, os efeitos de uma dose de cafeína duram apenas algumas horas. O tempo de meia-vida da cafeína no corpo é de aproximadamente seis horas, o que significa que, a cada seis horas, a concentração de cafeína cai pela metade no organismo.
               Outros efeitos da cafeína no organismo são induzir a liberação do hormônio adrenalina e do neurotransmissor dopamina. A adrenalina causa o estado de “fuga ou luta”, caracterizado por pupilas dilatadas, aumento do fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos e diminuição do fluxo para a pele e vísceras, taquicardia, aumento da pressão sanguínea, da frequência respiratória e da conversão de gicogênio em glicose no fígado (glicogenólise). A liberação desse hormônio explica algumas das sensações e sinais de quem toma muito café. A liberação de dopamina, por sua vez, está relacionada à sensação de prazer.

Bibliografia:



Um comentário:

  1. Muito bom! Não é compensatório os feitos psicostimulantes que a droga proporciona: sensação de bem estar, melhora de atenção e pensamento. Porém em doses elevadas surgem efeitos de nervosismo, inquietação, insônia e tremores. podendo chegar a ter convulsões, delírios e aumento da frequência cardíaca. Com o uso cronico causa dependência, provocando dependência física e tolerância à droga. Na retirada da droga pode aparecer uma síndrome de abstinência caracterizada por dores de cabeça, nervosismo, irritação, ansiedade e insônia.
    Elisângela Mendes

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