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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Amor é mais que um beijo!


 "Afeição viva por alguém ou por alguma coisa / Sentimento apaixonado por pessoa do outro sexo / Inclinação ditada pelas leis da natureza: amor materno, filial. / Paixão, gosto vivo por alguma coisa: amor das artes / Zelo, dedicação: trabalhar com amor. / Amor platônico, amor isento de desejo sexual." Dicionário Aurélio.

"Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer..." Poeta português Luís de Camões.

‘‘A melhor definição de amor não vale um beijo.’’ Machado de Assis.

         
            Falar de amor é sempre um assunto que requer muita calma, emoção e por que não razão? Várias pessoas afirmam que o amor é somente algo emocional, regido apenas pelas leis dos sentimentos e somente no âmbito das emoções. E a razão, onde se encaixaria nesse processo?

            Faço um pequeno empréstimo das sábias palavras de Friedrich Nietzsche, em que o célebre filósofo proferiu que ‘‘Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura’’ e nessa grande profusão de sentimentos puros e até insanos a ciência encontrou razão nesse emaranhado. E essa razão encontra-se em pequena dimensão, mais precisamente na ação de neurotransmissores, hormônios e outras pequenas substâncias químicas. 

            Com o advento da tecnologia das Imagens de Ressonância Magnética e Tomografia por Emissão de Pósitrons, vários cientistas da área neurológica mostraram grande interesse na neuroquímica e neurofisiologia das emoções e sentimentos. Assim, essas novas formas de coletar materiais para estudo científico possibilitou que cada sentimento pudesse ser correlacionados com suas respectivas manifestações neurais. Além disso, em estudos feitos em pequenos mamíferos e outros animais, mostraram que dopamina, oxitocina e vasopressina se mostraram importantes nesses processos. Essas substâncias também são participantes dos relacionamentos humanos, assim como a serotonina, o cortisol, o fator de crescimento nervoso e a testosterona.

            A fórmula do amor, em conjunto aos elementos anteriormente citados, é a chave que une o processo da atração seguido do processo da ligação dos seres envolvidos no processo, o que se convém chamar ‘‘apaixonar-se’’. Esses dois processos, para a biologia, contém tanto a atração sexual quanto a associação parental a fim de construir o cuidado parental para a prole.

            O amor quando se manifesta por sintomas como sudorese, aceleração dos batimentos cardíacos, aumento do peristaltismo e até dilatação das pupilas, pode ser uma situação bem adversa para o equilíbrio do organismo assim como uma situação de estresse. E essas situações em suas variações dentro dos padrões podem encorajar o individuo a interações sociais a fim de retornar ao seu equilíbrio. No início da manifestação do sentimento, devido a sua incerteza, permite que o nível de cortisol eleve-se e o hormônio folículo estimulante (FSH) reduza-se, que demonstram o inicio da inter-relação social. 
        Depois da fase inicial, a oxitocina e a vasopressina tomam seus lugares no processo. Elas estão relacionadas à formação de laços afetivos mais duradouros e intensos, de forma a preparar território pra um relacionamento mais estável e equilibrado e também na formação da memoria-emotiva, que é aquela em que o ser apaixonado lembra-se das feições, dos cheiros e até dos gestos do ser querido com grande amplitude de detalhes .

          Além disso, também estão relacionados ao sistema de recompensa da dopamina. Esse circuito de recompensa cerebral segue a seguinte rota dentro do sistema límbico: área tegmentar ventral – núcleo accumbens – córtex pré-frontal. Os estímulos nessa rota provocam sensações boas e de prazer ao indivíduo e levando-os a tentarem novamente adquirir os estímulos que geram essa sensação prazerosa , de forma que, no caso do amor, é importante para a formação afetiva e fazer com que ele seja uma experiência gratificante assim como o prazer, a alegria, a paixão e o desejo.

 
            A dopamina tem recebido uma atenção especial dos cientistas da área por sua ação na questão do humor, afeição e motivação. Certamente, esse neurotransmissor também tem relação estreita com o amor, e juntamente com a endorfina estimulam os circuitos de recompensa. Assim, atuando no núcleo caudado, área tegmentar ventral e córtex pré-frontal, regiões do cérebro ricas em dopamina e endorfina, são responsáveis pela mudança no sistema cardiovascular como elevação do ritmo cardíaco e da pressão arterial, pelo rubor, também enaltece a sensação de que ‘‘o amor é lindo’’ dando ao individuo mais motivação, coragem, disposição, apesar de desestimular o apetite e o sono. Sintomas clássicos da fisiologia do amor.
 
               Além da dopamina, há outra substância importante nesse processo: a feniletilamina. Essa substância, assim como a noradrenalina, contribui para a formação de memória a novos estímulos, a mesma que remete às lembranças do cheiro da roupa, da voz e do número do celular do amado. Ela também é importante na produção da dopamina, uma vez que a estimula juntamente com a produção de noraepinefrina.

             Agora, você leitor, pode conferir que você ama a partir do circuito área tegmentar ventral – núcleo accumbens – córtex pré-frontal em seu cérebro ou pode também continuar dizendo que ama do fundo do coração, que não irei negar que é mais potético, entretanto quero que se lembre que ‘‘Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura’’.

Bibliografia:


The Neurobiology of Love ,Tobias Esch1, 2 & George B. Stefano2

 Berscheid E (2010) Love in the fourth dimension. Annu Rev Psychol
61:1–25.

Brumbaugh CC, Fraley RC (2006) Transference and attachment: how
do attachment patterns get carried forward from one relationship to
the next? Pers Soc Psychol Bull 32(4):552–560.

Bartels A, Zeki S (2000) The neural basis of romantic love.





           

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