sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ansiedade, estresse. Deprimente

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             Não é muito difícil passarmos por uma situação que nos deixa ansiosos. E quem nunca passou por um momento de estresse? Estudar para provas, preparar seminário, estudar, escrever posts, estudar, enfrentar engarrafamento, não dormir direito, estudar, discutir no trânsito, brigar com o chefe, enfim, tudo isso pode ser bastante estressante, especialmente quando algumas coisas são deixadas para última hora!! Sem falar naquele frio na barriga, respiração acelerada, tremedeira, suor frio só de pensar que tem que passar no vestibular ou sair muito muito bem na prova, ou ainda apresentar aquele trabalho valendo seu diploma para uma plateia de 950 pessoas.

            Portanto, vemos que ansiedade e estresse estão bastante presentes no dia a dia de muitas pessoas. Sem falar no grande salto no número de pessoas diagnosticadas com depressão. Ocorre que esses três podem estar bem relacionados. Um artigo publicado na revista Nature Neuroscience em 2010, de autoria de uma brasileira, Ana Cristina Ribeiro Guimarães, e auxílio de uma equipe canadense demonstra bioquimicamente que esse elo ocorre por meio da interação dos reguladores do hormônio cortisol (também conhecido como hormônio do estresse) e do neurotransmissor serotonina (que como já explicado anteriormente, está vinculado à depressão).
            Distúrbios de estresse e ansiedade seriam fatores de risco para a depressão porque, a sinalização dos receptores serotoninérgicos tipo 2 (5-HT2AR e 5-HT2CR) é potencializada pela ativação de CRFR1 (Type 1 Corticotrophin Releasing Factor Receptor).Ok, agora vou explicar um pouco melhor sobre isso. O CRF1 é um receptor acoplado a uma proteína estimulatória e que entre suas várias funções, regula a liberação de adrenocorticotropina (ACTH). Essa substância normalmente é liberada em situações de estresse, o que provoca o aumento de glicocorticoides e resulta numa série de alterações metabólicas. Sabendo que alguns medicamentos que atuam nos receptores de serotonina do tipo 5-HT2R ajudam no comportamento ansioso, os pesquisadores resolveram unir a proteína Gq (que está acoplada a CRF1) a receptores tipo 2 da serotonina. E então eles demonstraram a ativação do receptor CRFR1 causa o aumento da densidade de 5-HT2AR e 5-HT2CR, e consequente aumento também na sinalização das células com esses receptores. Esse fenômeno ocorre especificamente com essas substâncias, pois testes que utilizaram ao invés do receptor CRFR1, o receptor CRFR2 não tiveram o mesmo resultado.  Ainda é necessário um processo de reciclagem rápida dos receptores CRFR1, para isso, todo esse mecanismo é dependente de estruturas chamadas de domínios PDZ, que ajudam no transporte desses receptores.

            Dois testes comportamentais realizados em camundongos demonstraram que agonistas do CRFR1 e 5HT2R, provocavam um aumento de ansiedade quando aplicados em conjunto diretamente no córtex pré-frontal. No entanto, a aplicação de um antagonista do 5-HT2R, não provocou nenhum aumento ou mudança no comportamento ansioso. Portanto, esses resultados sugerem que é necessário o funcionamento perfeito dos dois receptores estudados para que haja alguma alteração comportamental.
No geral, esse estudo aborda termos relacionados ansiedade, serotonina, estresse, corticotropina, depressão. Enfim, fora toda a lição da bioquímica, é bom entender e ficar atento que entre todos os males causados pelo estresse e ansiedade, pode ocorrer algo mais grave, a depressão. Portanto as dicas que deixo, todo mundo já ouviu falar e são muito simples (ou não, para alguns): ter uma vida saudável, regrada, com disciplina, praticar exercícios físicos e mentais, e lógico, não se irritar com coisas bobas ou criar expectativas de algo e que acaba tirando seu precioso sono. E também, claro, muito importante, é não deixar as coisas para vigésima quinta hora, como vovó já dizia.
Pessoal, fico por aqui. 


Bilbliografia:
http://www.nature.com/neuro/journal/v13/n5/abs/nn.2529.html#
http://www.medicina.ufmg.br/inct/?p=65&lang=pt-br
https://www.ufmg.br/online/arquivos/anexos/Neuroscience_Magalhaes.pdf

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